Perguntas frequentes sobre dinheiro
As dúvidas que mais aparecem nas conversas sobre finanças em Portugal, respondidas de forma simples e com links para as calculadoras certas.
ETFs e investimento
Por onde começo a investir?
Antes de investir, garante três coisas: não tens dívidas caras (cartões, crédito pessoal), tens um fundo de emergência de 3 a 6 meses de despesas e sabes para quê e para quando é o dinheiro.
Para o longo prazo (mais de 5 a 10 anos), muita gente começa com ETFs de índices amplos e diversificados, com entregas mensais automáticas. Para prazos curtos, o dinheiro deve ficar em produtos sem risco, como contas poupança, depósitos ou Certificados de Aforro.
ETF de acumulação ou de distribuição?
Num ETF de distribuição, os dividendos são pagos e pagas imposto sobre eles todos os anos. Num de acumulação, os dividendos são reinvestidos automaticamente e só pagas imposto quando venderes (mais-valias).
Para quem está a acumular património a longo prazo, adiar o imposto costuma ser vantajoso, porque o dinheiro que ficaria para impostos continua a render. A distribuição pode fazer sentido para quem quer viver dos rendimentos.
Crédito habitação
Amortizar o crédito habitação ou investir?
Amortizar dá-te um "rendimento" garantido igual à TAN do crédito, sem risco. Investir pode render mais a longo prazo, mas com risco e impostos.
- Se a TAN é alta e não tens tolerância ao risco, amortizar tende a ganhar.
- Conta com a comissão: até 0,5% em taxa variável e 2% em taxa fixa.
- Nunca amortizes à custa do fundo de emergência.
- Encurtar o prazo poupa mais juros; baixar a prestação dá mais folga mensal.
Taxa fixa, variável ou mista no crédito habitação?
A variável (Euribor + spread) acompanha o mercado: desce quando a Euribor desce e sobe quando sobe. A fixa dá previsibilidade total, normalmente a um preço inicial mais alto. A mista é fixa nos primeiros anos e depois passa a variável.
A pergunta certa é: consegues pagar a prestação se a Euribor subir 2 ou 3 pontos? Se a resposta for não, a previsibilidade vale dinheiro. Compara sempre pela TAEG da FINE.
O que acontece ao crédito habitação numa separação ou divórcio?
Para o banco, os dois continuam responsáveis pela dívida toda até o contrato ser alterado: o acordo de partilha, sozinho, não muda nada.
- Um fica com a casa: paga as tornas ao outro e pede ao banco a desvinculação, que depende de conseguir pagar sozinho.
- Vender: liquida-se o crédito e divide-se o que sobra.
- Manter em conjunto: possível, mas os dois continuam ligados ao crédito.
Comprar ou arrendar casa
Quanto posso pedir emprestado para comprar casa?
Há dois limites principais definidos pelo Banco de Portugal para novos créditos à habitação própria permanente:
- LTV até 90%: o banco financia no máximo 90% do valor da casa (avaliação ou compra, o menor). Precisas de pelo menos 10% de entrada, mais impostos e custos.
- Taxa de esforço: as prestações de todos os créditos não devem, em regra, ultrapassar 50% do rendimento líquido, testadas com uma subida de juros.
Na prática, acima de 35% de taxa de esforço o orçamento fica apertado.
É melhor comprar ou arrendar casa?
Não há resposta única. Comprar tende a compensar se fores ficar muitos anos na mesma casa, tiveres a entrada e os custos de compra sem esgotar a poupança, e a prestação for confortável.
Arrendar dá flexibilidade (mudar de cidade ou de emprego) e liberta capital. Na comparação, inclui tudo: IMT, Imposto do Selo, escritura, seguros, IMI, obras e condomínio de um lado; renda e o que o dinheiro da entrada renderia do outro.
Certificados e poupança
Quanto devo ter no fundo de emergência, e onde?
Entre 3 e 6 meses de despesas essenciais. Mais, se és trabalhador independente ou tens rendimento variável.
Deve estar num sítio seguro e acessível: conta poupança mobilizável, depósitos curtos ou Certificados de Aforro (só depois dos primeiros 3 meses). Nunca em bolsa: o imprevisto pode chegar quando o mercado está em baixo.
Os Certificados de Aforro ainda compensam?
Na Série F, a taxa base acompanha a Euribor a 3 meses, com teto de 2,5%, e a partir do 2.º ano soma-se um prémio de permanência (de 0,25 a 1,75 pontos). Os juros pagam 28% de IRS, como os depósitos.
Compensam sobretudo para quem quer segurança máxima (garantia do Estado) e pensa ficar vários anos. Compara a taxa líquida com os melhores depósitos e contas poupança do momento.
Conta poupança ou depósito a prazo?
A conta poupança costuma permitir levantar quando quiseres e fazer reforços, mas a taxa pode mudar. O depósito a prazo tem taxa fixa durante o prazo, mas levantar antes pode fazer-te perder os juros.
Fundo de emergência: conta poupança. Dinheiro que não vais precisar nos próximos meses: depósito.
O meu dinheiro está seguro se o banco falir?
Os depósitos estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 € por depositante e por banco. Se tens mais do que isso, divide por bancos diferentes (atenção: marcas do mesmo grupo podem contar como o mesmo banco).
Ações, ETFs e outros investimentos não são depósitos: numa corretora, os teus títulos ficam separados do património da empresa, mas não estão protegidos contra descidas do mercado.
PPR e reforma
Vale a pena ter um PPR?
O PPR dá uma dedução no IRS de 20% do valor entregue, até 400 € (até aos 35 anos), 350 € (dos 35 aos 50) ou 300 € (acima dos 50). Só aproveitas se pagares IRS suficiente.
Antes de escolher, olha para as comissões e para o tipo de investimento: um PPR caro pode perder para outras alternativas, mesmo com o benefício. E lembra-te: se resgatares fora das condições legais, devolves o benefício com agravamento.
IRS e impostos
Tenho de declarar no IRS uma conta num banco ou corretora estrangeira?
Em regra, sim: contas de depósito ou de títulos em instituições não residentes em Portugal têm de ser indicadas no quadro 11 do Anexo J, mesmo que não tenham dado rendimentos. Só se indica a identificação da conta (como o IBAN), não o saldo.
Se a conta tiver tido IBAN português durante todo o ano, normalmente já não entra nesse quadro. Os juros, dividendos e mais-valias obtidos no estrangeiro declaram-se nos quadros próprios do Anexo J.
Como são tributadas as mais-valias de ações e ETFs?
Por regra, o saldo entre ganhos e perdas do ano paga uma taxa de 28%, ou podes optar pelo englobamento (somar aos outros rendimentos), que só compensa a quem tem rendimentos baixos.
Exceção: se venderes títulos detidos há menos de 365 dias e o teu rendimento coletável estiver no último escalão do IRS, o englobamento é obrigatório. Declara-se no ano seguinte ao da venda.
Como funciona o IRS Jovem?
Para quem tem até 35 anos (a 31 de dezembro do ano dos rendimentos) e não é dependente, parte dos rendimentos do trabalho fica isenta durante até 10 anos:
- 1.º ano: 100%
- 2.º ao 4.º ano: 75%
- 5.º ao 7.º ano: 50%
- 8.º ao 10.º ano: 25%
A isenção tem um limite anual de 55 vezes o IAS. Abrange trabalho dependente e independente (categorias A e B).
Cripto
As criptomoedas pagam impostos em Portugal?
Os ganhos com criptoativos detidos menos de 365 dias pagam, em regra, 28%. Os detidos 365 dias ou mais podem ficar isentos, mas têm de ser declarados na mesma.
Guarda o registo de todas as compras e vendas (datas e valores): vais precisar dele para calcular os ganhos.
Cartões e cashback
O cashback paga IRS?
O cashback normal de um cartão (uma percentagem das compras) é, em regra, visto como um desconto e não paga IRS. Já os bónus por cumprir condições (abrir conta, recomendar amigos, gasto mínimo) costumam pagar 28%, retidos pelo banco.
Orçamento e dívidas
Como deixar de ser fiador de um crédito?
Não basta pedir: o banco tem de concordar. As saídas habituais são o devedor apresentar outra garantia (outro fiador ou hipoteca), renegociar ou transferir o crédito sem fiador, ou pagar parte da dívida.
Enquanto és fiador, a fiança aparece no teu Mapa de Responsabilidades de Crédito e, se o contrato tiver renúncia ao benefício da excussão prévia, o banco pode cobrar-te diretamente.
O que fazer com o subsídio de férias ou de Natal?
Uma regra simples: decide antes de o receber. Por exemplo, com a regra 50/30/20: metade para despesas previstas (férias, presentes, seguros anuais), 30% para te dares um mimo sem culpa e 20% para poupar ou amortizar dívidas caras.
Se não tens fundo de emergência, este é o melhor momento para o começar.
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